Demorei 25horas e 3 voos a chegar a chegar ao sítio onde estou a estagiar – Karunya University. Na minha breve passagem pelo aeroporto de Londres, e como boa fã do Hell’s Kitchen não resisti em comprar a lancheira airplane food do temível chef Gordon Ramsey (mal sabia eu que seria a última refeição de jeito dos próximos meses!)



Já na Índia tive de apanhar um voo interno e deparei-me logo com a diferença entre sexos. O aeroporto tinha 12 cabines de raios X, 9 para homens e apenas 3 para mulheres. A diferença entre elas? As dos homens são iguais às nossas. As das mulheres têm um compartimento onde uma mulher polícia nos apalpa e espreita pelos Saris acima para ver se não há bombas. Nas dos homens não me deixaram passar tive outro remédio senão ser (toda!) apalpada por uma mulher polícia, que era bastante intimidante diga-se de passagem.
Quando cheguei ao aeroporto de Coimbatore tinha a Pemila à minha espera. Uma indiana com quem trabalho e que está a fazer o seu PhD nesta universidade. É o meu anjinho da guarda indiano.
As duas primeiras coisas que me chamaram mais à atenção quando cheguei foram o trânsito louco e a quantidade de bananeiras que há no caminho para a faculdade. Hoje em dia como bananas todos os dias, e a maioria das minhas refeições é servida em folhas da bananeira. É melhor que os pratos metálicos porque conserva o sabor da comida (por estes lados não há muitos pratos de cerâmica!)

A universidade é privada, fica em Karunya Nagar e tem um campus enorme que fica no meio da selva a 26km (1:30h de BUS) da cidade Coimbatore, cidade “pequena” com 1,2 milhões de habitantes (e nenhum turista!). Como estou no estado de Tamil Nadu, apenas se fala tamil e não hindi, portanto todas as palavras que aprendi em hindi antes de vir não me serviram de nada! Cheguei cá muito contente a dizer namastê para perceber que eles são muito orgulhosos da sua língua e que apesar de Hindi se a língua oficial cada estado tem a sua língua falada por todos e estudada na escola.

A faculdade fornece alojamento. E que como se trata de uma faculdade privada protestante antes de vir já sabia que ia ficar num complexo dormitório feminino, que teria horário de recolha às 18:30 (que acabou por ser às 20:30 por ser estagiária estrangeira) e que obedecer às regras de vestuário (roupa formal que não “revele” pernas, ombros ou peito).

O que não sabia é que “as acomodações” não têm nível internacional! O quarto, embora individual é do estilo deco “prisão de Caxias” – grades nas janelas, mesa e secretária de ferro.


Tentei comprar algumas coisas para dar um tom de graça e tornar o quarto mais cosy mas não há milagres!
Já viram na fotografia do lado a quantidade de cremes que trouxe? AHAHAH Bem ao estilo da minha amiga Marcinha♥ (http://www.massademodelar.com/). Lá por estar na Índia não tenho que andar trapalhona, trouxe os kits todos, creme de corpo, creme de mãos, vernizes…
Carol
Mas descobri que as indianas também adoram cremes. E advinhem qual é o que mais gostam? É uma locura mas os cremes mais vendido aqui são os cremes para tornar a pele mais clara. Todas as grandes marcas têm um creme desses e há para homem e mulher. E os anúncios são daqueles com fotografias do antes e depois, onde se vê a mesma pessoa com a pele 5 tons mais clara (e viva o photoshop).

A casa de banho tem retrete “normal” e indiana mas sem papel. Quando perguntei explicaram-me que não usam papel higiénico, limpam-se com a mão esquerda e com um balde de água que há sempre ao lado da retrete. O meu irmão António que até do papel higiénico tem nojo ia a adorar esta técnica.


O chuveiro não existe! Há uns compartimentos com uma torneira e temos dois baldes para tomar banho. Água quente?! No inicio achava que não havia, mas entretanto descobri que há uma torneira no corredor que tem água quente das 6 às 7 da manhã. Mas acordar ás seis?!?! Nem pensar, venha o banho de água fria que faz bem à pele.
Com o quarto e o banho de balde posso eu bem a comida da cantina é que foi um verdadeiro choque. Mas isso fica para um próximo post.